É difícil aceitar que você se foi pra sempre. É difícil aceitar que eu não vou mais poder ouvir o seu “quase latido” pra me avisar que o pai chegou... é difícil aceitar que eu não vou mais ter pra quem inventar apelidos, que eu não vou ter mais ninguém pra chamar de Bid, de Tiu ou de qualquer outro nome que eu preferisse usar. É difícil. É horrível imaginar que eu não vou mais falar “já volto, bebê” todos os dias de manhã, quando vou pra escola e que não vou mais ter sua cabecinha para fazer cafuné quando eu chego. Desculpa por eu ter brigado com você certas vezes, mesmo pelo motivo mais ridículo do mundo. Desculpa por eu não ter saído para te dar “boa noite” mais. Desculpa por todas as vezes que eu saí para passear com o Copérnico e deixei você em casa.. Desculpa, porque nesses ONZE anos que você esteve comigo, eu não consegui te dar nem a metade da atenção que você merecia. Desculpa. Mas só VOCÊ sabe o quanto eu te amava, o quando eu te amo e o quanto eu estou sofrendo em olhar suas fotos, em olhar pela janela e não te ver dormindo no quintal e o quanto eu queria te ajudar ontem... O quanto eu queria ter ficado com você até o fim, mesmo você não querendo. Só você sabe o que eu senti quando percebi que você não estava mais respirando... Só você. Você sabe que não era só um animal, que não era só a cachorrinha bonitinha que eu tinha... Você era mais, bem mais que isso... Você sabe.
Me desculpa por todas as vezes que eu te chamei de feia, de idiota, por todas as vezes que briguei com você. Sabe, dói bastante saber que eu não vou mais poder te dar banho, que eu não vou mais te levar pra passear e que eu não vou mais poder rir de você correndo pra me encontrar. Mas o que mais dói mesmo, é pensar que eu nunca mais poderei ouvir esse seu coraçãozinho perfeito bater.
Em “A arte de correr na chuva”, o Enzo diz que os cães tem o poder de voltar como homens em sua próxima vida e ele deixa claro que não são todos, mas sim apenas os que estiverem preparados. Eu sei que você sempre esteve preparada para voltar como ser humano na próxima encarnação, porque você, assim como o Enzo da história, tem a alma humana. Você entende tudo, tudo, tudo, tudo.
Eu sempre me preparei para o dia da sua partida, porque era óbvio que um dia você teria que partir, mas eu não imaginava que seria tão difícil. É... Você poderia ter morrido logo que nasceu, quando te levamos ao veterinário e ele queria te sacrificar, pois achava que você não seria capaz de viver sem uma das patas. Mas não, você provou que seria capaz e conseguiu viver 11 anos, porque sabia que tinha alguém que precisaria sempre de você, que precisava aprender com você, sempre. Eu aprendi. Obrigada por todos os momentos de alegria, de riso, que você me proporcionou e, acima de tudo, obrigada por ter me encontrado e ter permanecido ao meu lado, sempre.
Cuida de mim, de qualquer lugar que você esteja. E saiba, meu bebê, que eu estarei de braços abertos pra te receber novamente, a qualquer hora.
Eu te amo MUITO e só você conseguia ver o tamanho desse amor.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
meu anjinho de três patas
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Ismália
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Alphonsus de Guimarães
domingo, 14 de fevereiro de 2010
fragmento
"nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."
hermann hesse
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
auto-retrato
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Carta ao poeta
'"Escrevo-te essas mal-traçadas linhas, meu amor, porque veio a saudade visitar meu coração.."
Beijão amiguinhos e inimigos, imaginários ou não, façam parte do contexto, da crônica! [como eu sou idiota.. mas foi o que me veio na cabeça.]
Beijo no cérebro e FORÇA SEMPRE!
sábado, 6 de dezembro de 2008
Insetos Interiores
"Existem milhões de insetos almáticos. Alguns rastejam, outros poucos correm, a maioria prefere não mexer. Grandes, pequenos, redondos e triângulares, de qualquer forma são todos quadrados. Ovários, oriundos de variadas raízes radicais, ramificações da célula rainha. Desprovidos de asas, não voam nem nadam. Possuem vida mas não sabem; duvidam do corpo, queimam seus filmes e suas floras... Para eles, tudo é capaz de ser impossível. Alimentam-se de nós. Nossa paz e ciência. Regurgitam assuntos e sintomas, avoam e bebericam sobre as fezes... Descansam sobre a carniça, repousam-se no lodo. Lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são. Assim são os Insetos Interiores.
A futilidade encarrega-se de maestrá-los. São inóspitos, nocivos, poluentes. Abusam da própria miséria intelectual, das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia. O veneno se refugia no espelho do armário. Antes do sono, o beijo de boa noite; antes da insônia, a benção. Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa: a família. São soníferos, chagas sem curas. Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados. Arrancam a cabeça de suas fêmeas, cortam os troncos, urinam nos rios e na soma dos desagravos, greves de desapegos, esquecem-se de si. Pontuam-se. A cria que se crie, a dona que se dane! Os insetos interiores ploriferam-se assim: na morte e na merda.
Seus sintomas? Um calor gélido e ansiado an boca do estômago. Uma sensação de 'o que é mesmo que se passa?' Um certo estado de humilhação conformada, o que parece bem vindo e quisto. É mais fácil aturar a tristeza generalizada, do que romper com as correntes de preguiça e mal dizer. Silenciam-se no holocausto da subserviência. O organismo não se anima mais... E assim, animais ou menos assim, descompromissados com o próprio rumo, desprovidos de caráter e coragem, desatentos ao próprio tesouro, caem. Desacordam todos os dias, não mensuram suas perdas e imposturas. Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores."
...e eles estão fazendo a festa aqui dentro. A culpa é de quem? Minha, claro.
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